www.despertarcriativo.com.br

           Thalita Arruda  Psicóloga de orientação junguiana especialista em arteterapia e expressões criativas

                                                                               CRP: 06/89561  (11)9.7202.3016      

Copyright © Thalita Arruda. All rights reserved.

O filme relata a história de uma mulher e suas descobertas na vida. Através de uma relação conturbada com a própria mãe, ela desperta um novo olhar para os pais e vai se redescobrindo como filha, mãe, profissional, esposa, mulher. Uma história sobre um trajeto que todos nós temos que fazer, o de reconhecer nossos pais em nós. Não para nos submetermos e nem para estarmos ligados pela oposição, mas sim para descobrirmos nossos próprios caminhos. 

Há casos em que as mulheres vivem em pé de guerra com a mãe e encontram no pai um lugar de conforto, muitas vezes, esses pais estão sendo cuidados pelas filhas e elas não conseguem vê-los como são. Há outros em que as filhas vivem identificadas com a mãe, tentando viver uma vida para compensar o sofrimento que elas viveram. Ambos são aprisionamentos do feminino.

Um tema muito importante tratado no filme é a transgressão. No dicionário Larousse Cultural transgredir é passar além de; atravessar; violar uma norma, infringir.

A partir desse significado proponho uma reflexão: O que se deve fazer ao atravessar a rua?

É preciso olhar, reconhecer o espaço, se ater aos detalhes, aos carros que passam, às outras pessoas que também circulam para decidir quando é possível atravessar de um lado para o outro sem que algum carro o atropele, embora o risco seja iminente. Nesse sentido, transgredir é ir embora, atravessar, mas também reconhecer o espaço para sair dele. Do ponto de vista psicológico, o grande desafio da transgressão é não ser atropelado durante o ato, é infringir com os pés no chão. Sem isso, não existe consciência e todo o processo pode se perder no meio do caminho. Transgredir é um ato de coragem, de reconhecimento e desenvolvimento, um processo criativo e de transformação. 

“O sapato que serve num pé, aperta no outro, e não existe uma receita de vida válida para todo mundo. Cada qual tem sua forma de vida dentro de si, sua forma irracional, que não pode ser suplantada por outra qualquer.”  (Carl Gustav Jung)